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O que aprendi até agora com o mestrado

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Seguindo a proposta de Machado (2005) de começar a escrever um diário de pesquisa, dou continuidade às perguntas sugeridas pela autora. Para saber mais detalhes sobre o que é um diário de pesquisa e quais as orientações que estou seguindo, clique aqui.

O que aprendi até agora sobre a atividade de fazer pesquisa?

A primeira coisa que  aprendi sobre a atividade de fazer pesquisa é: ser cientista significa se equilibrar entre a linha tênue entre a frieza e a paixão. É preciso ser apaixonado pelo seu objeto de pesquisa pois você vai conviver com ele por muito tempo (talvez a vida toda) e também para suportar as fases de isolamento que o estudo traz, pois seu trabalho pode até fazer parte de algum grupo maior, mas a leitura e a escrita são tarefas solitárias. E além da neutralidade característica da ciência, é preciso também ser frio para se afastar da sua criação em algumas etapas, por exemplo, quando as correções do orientador chegam ou nos momentos de defesa e apresentação de trabalhos. Caso contrário você corre o risco de se confundir com o objeto das críticas que constroem esse ambiente e acreditar que elas se direcionam à você, quando na verdade tudo faz parte do processo de construção de conhecimento. (Sobre isso eu recomendo a leitura de PERROTA, C. Um texto para chamar de seu, 2004, p.1-6)

O que aprendi tem alguma relação com a minha vida pessoal?

Como disse outras vezes, e vou dizer tantas mais, minha vida pessoal e profissional se misturam o tempo todo tanto que às vezes não sei dizer se estou dormindo no trabalho ou trabalhando no lugar de dormir. Enfim, fiz uma lista das cinco coisas que o mestrado me ensinou além da ciência.

1. Para trabalhar em casa é preciso disciplina e estabelecer limites claros de horário e local para trabalho/descanso;

A primeira coisa que o ambiente acadêmico trouxe para minha vida pessoal foi a importância da saúde mental. Começando do básico que é separar o local e o momento de trabalho do local e momento de descanso. Essa experiência eu já tinha, pois antes do mestrado eu sempre trabalhei em casa, mas ainda assim é a lição mais importante. Pense assim, um atleta submete o corpo a uma grande esforço físico, então ele precisa tomar os cuidados necessários para aguentar a pressão e manter o desempenho cada vez mais alto, assim também o pesquisador se submete a um grande esforço intelectual, por isso a saúde mental deve fazer parte do trabalho também. A quantidade de pesquisadores que sofrem com estresse e depressão é alarmante. 

2. Ser seu próprio chefe é o oposto do que se imagina, ou seja, você acaba trabalhando mais e sempre leva trabalho pra casa (e aí a gente volta pra primeira parte);

A segunda e eu diria até que está no mesmo nível de importância que a primeira é cuidar da sua relação com o(a) orientador(a). O orientador é alguém que deve garantir o ritmo e a qualidade do seu trabalho, isso significa que é tarefa dele te cobrar e corrigir seu trabalho e justamente por isso é sua tarefa se manter em dia com a produção e entregar sempre o melhor. Por isso é muito importante lembrar que no fim das contas tudo depende de você, seja disciplinado e exigente com sua produção e entenda que ter liberdade de horário e possibilidade de trabalhar em casa não significa trabalhar de pijama ou maratonar séries pra compensar “mais tarde”. Já dos tempos de home office eu fiz duas listinhas poderosas, uma com o básico de sobrevivência para trabalhar em casa e outra com aplicativos essenciais pra nunca mais procrastinar.

3. É preciso estar atento não só ao conteúdo da pesquisa, mas também na forma;

Esse aprendizado veio dos dias em que eu passava mal só de olhar para todas as abas com artigos não lidos no seu navegador, a preguiça serve como sinal de que estou estudando errado e preciso rever minhas técnicas de estudo. É eu esfrio a cabeça e jogo no pinterest: técnicas de estudo e me permito perder algumas horas vendo cadernos com a caligrafia e as cores de quem não tem prazo a cumprir e descubro alguma nova forma de anotação e leitura que me trazem de volta a vontade de grifar uns parágrafos e fazer uns fichamentos.

É óbvio que isso não se trata da metodologia de pesquisa, que nesse caso,  é literalmente um capítulo a parte (na sua dissertação).

4. Participar de eventos da sua área pode ser muito legal para te dar mais incentivo e fazer bons contatos, mas se não tiver cuidado você vira um participante de eventos profissional e deixa seu real objetivo de lado;

Esse na verdade foi um conselho da minha orientadora, participar de eventos de divulgação científica é parte do trabalho sim, afinal sua pesquisa precisa entrar em debate até para você se acostumar e se preparar para a qualificação e a defesa, mas não deixe que isso tome seu foco, caso contrário você apresentou o mesmo resultados em cinco eventos diferentes e não teve tempo nenhum para avançar no resto da pesquisa.

5. Alguém que faça pesquisa na mesma área que você não é seu concorrente.

Quem vem do mercado de trabalho pode trazer esse vício de entender o outro como concorrente e por aqui não é bem assim. As pessoas que fazem pesquisa na mesma área ou com o mesmo objeto que você pode apresentar teorias e pontos de vista complementares ou divergentes do seu que podem e devem contribuir com a formação de conhecimento naquela área. Tá todo mundo trabalhando junto (e pelo amor da deusa, FAÇA CITAÇÃO CORRETA do trabalho do coleguinha!)

 

 


Fontes das perguntas:

MACHADO, A. R (cord.) Planejar gêneros acadêmicos. São Paulo: Parábola Editorial, 2005 p.29


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